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Projecto “Novas Cartas Portuguesas 40 Anos Depois”
(PTDC/CLE-LLI/110473/2009)


Este projecto tem por objectivo criar uma rede transcultural e internacional em torno do livro Novas Cartas Portuguesas, publicado em 1972 por Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, dando conta da investigação desenvolvida em Portugal e em vários países ocidentais nos últimos quarenta anos em torno de Novas Cartas Portuguesas.

Banido nos anos 70, o livro foi imediatamente traduzido na Europa e nos Estados Unidos da América, encontrando-se, ainda hoje, entre as obras portuguesas mais traduzidas em todo o mundo. A apreensão do livro e o processo instaurado às três autoras no contexto do Estado Novo provocou uma onda internacional de apoio inédita na história da literatura portuguesa, tendo os protestos e as manifestações em prol da causa das “Três Marias”, como viria a ficar conhecido o processo, atingido proporções inimagináveis: desde a cobertura do julgamento feita pelos meios de comunicação internacionais (The Times, Le Nouvel Observateur, etc.), até às manifestações feministas em várias embaixadas de Portugal no estrangeiro, passando ainda pela defesa pública da obra e das autoras levada a cabo por nomes como Simone de Beauvoir, Marguerite Duras, Doris Lessing, Iris Murdoch ou Stephen Spender, foram várias as acções que fizeram com que este caso fosse votado, numa conferência patrocinada pela National Organization for Women (NOW), como a “primeira causa feminista internacional”.

Abordando questões que se mantêm cruciais para a agenda política contemporânea, como a guerra e os conflitos, a violência, a discriminação, a feminização da pobreza, a (ausência de) liberdade, a colonização do corpo político e a imigração, entre muitas outras questões, Novas Cartas Portuguesas continuam a despertar a consciência social e a promover a construção de novos mapas de entendimento e de uma humanidade comum. Enquanto objecto literário, Novas Cartas está igualmente entre os textos mais inovadores do século XX, desestabilizando e questionando noções convencionais como as de autoria, autoridade e género literário. Recorde-se que o livro, composto por 120 textos (incluindo cartas, poemas, relatórios, textos narrativos, ensaios e citações), foi escrito colectivamente pelas três autoras, que, no entanto, não assinam individualmente qualquer um desses mesmos textos.

A história da publicação e da vasta recepção internacional de Novas Cartas Portuguesas continua por traçar, razão pela qual o presente projecto pretende prosseguir com o estudo e a divulgação deste livro, dando assim continuidade ao projecto Novas Cartas Portuguesas Três Décadas Depois” (PIHM/ELT/63706/2005), do qual resultou a edição anotada de Novas Cartas Portuguesas, de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, publicada pela D. Quixote, em 2010.

Promovendo a investigação em rede sobre a recepção nacional e internacional de Novas Cartas Portuguesas, este projecto, que conta com uma larga equipa internacional de investigadores, centrar-se-á na publicação de material crítico sobre o livro, procurando dar conta do seu carácter inovador enquanto objecto literário, bem como sistematizar a) a génese de Novas Cartas, no contexto histórico, político, social e literário do Estado Novo; b) a sua repercussão na sociedade portuguesa pós-25 de Abril; c) a sua recepção internacional, nos seguintes países e áreas geográficas onde o livro foi traduzido ou teve recepção expressiva: Alemanha, Brasil, Canadá, Espanha, Estados Unidos da América, França, Holanda, Inglaterra, Irlanda, Itália, Macau, Suécia, Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e Países Sul-Americanos de Língua Espanhola.



EQUIPA

Coordenação Geral do Projecto
Ana Luísa Amaral (Univ.Porto)

Equipa de Investigação
- Adriana Bebiano (Univ. Coimbra)
- Alexandra Moreira da Silva (Univ. Porto)
- Ana Cristina Assis (Univ. Porto)
- Ana Gabriela Macedo (Univ. Minho)
- Ana Mafalda Leite (Univ. Lisboa)
- Ana Margarida Martins (Univ. Cambridge)
- Ana Paula Tavares (Univ. Nova de Lisboa)
- Anna M. Klobucka (Univ. Massachusetts, Dartmouth)
- Cacilda Lopes (Univ. Porto)
- Catherine Dumas (Univ. Paris III-Sorbonne Nouvelle)
- Chatarina Edfeldt (Univ. Dalarna)
- Deolinda Adão (Univ. California, Berkeley /San Jose State University)
- Elena Losada (Univ. Barcelona)
- Hilary Owen (Univ. Manchester)
- Jessica Falconi (Univ. Napoli/CES, Univ. Coimbra)
- Jorge Fernandes da Silveira (Univ. Federal do Rio de Janeiro)
- Livia Apa (Univ. Napoli)
- Luís Filipe Costa (Univ. Porto)
- Lurdes Gonçalves (Univ. Porto)
- Maria Fernanda Henriques (Univ. Évora)
- Maria Lúcia Dal Farra (CNPq;Univ. São Paulo)
- Marinela Freitas (Univ. Porto)
- Marta Mascarenhas (Univ. Porto)
- Roberto Vecchi (Univ. Bologna)
- Teresa Pinheiro (Univ. Chemnitz)

Colaboradores
- Ellen Sapega (Univ. Madison, Wisc.)
- Paulo de Medeiros (Univ. Utrecht)

Consultoras
- Gabriela Moita (Instituto Superior de Serviço Social do Porto - ISSSP)
- Isabel Allegro de Magalhães (Univ. Nova de Lisboa)
- Margarida Calafate Ribeiro (CES, Univ. Coimbra)
- Maria de Fátima Oliveira (Univ. Porto)
- Maria do Céu da Cunha Rêgo (Instituto Europeu para a Igualdade de Género - EIGE)
- Maria Irene Ramalho (Univ. Coimbra; Univ. Madison, Wisc.)
- Maria José Moutinho (Univ. Porto)
- Rosi Braidotti (Univ. Utrecht)


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